O Músculo Manguito Rotador e sua função de estabilização da articulação Glenoumeral Imprimir E-mail

 

     A estrutura da cintura escapular é extremamente complexa. Temos quatro articulações trabalhando juntas, o que permite uma amplitude e liberdade de movimentos que apenas o ombro possui. Esta particularidade também o torna mais suscetível às sobrecargas da vida diária, o que normalmente leva a lesão dos principais músculos estabilizadores do ombro (Manguito rotador da escápula). Acontece que quase 100% dos alunos que realizam exercícios para o manguito rotador, executam de forma errada, compensando com outros músculos mais fortes e tornando o exercício ineficaz.

   Por quê isso acontece? Antes de responder a essa pergunta precisamos lembrar dos quatro músculos que compõem o manguito, suas origens e inserções:

   - Supra Espinhal: Faz a abdução da glenoumeral. Tem sua origem na escápula e se insere no úmero.

   - Infra Espinhal: Faz a rotação externa da glenoumeral. Tem sua origem na escápula e se insere no úmero.

   - Redondo Menor: Faz a rotação externa da glenoumeral. Tem sua origem na escápula e se insere no úmero.

   - Subescapular: Faz a abdução da glenoumeral. Tem sua origem na escápula e se insere no úmero.

                                                    

   Desta forma temos os quatro músculos do manguito com suas origens na escápula e inserções no úmero. Levando em consideração o fato de que eles se originam na escápula, é importante que tenhamos essa origem bem ancorada (fixa), para que, ao realizar um exercício específico para essa musculatura, possamos realmente trabalhar os músculos do manguito. Se durante os exercícios de rotação externa e interna a escápula abduzir e aduzir, perdemos nossa ancoragem e deixamos de trabalhar a musculatura que estamos objetivando, realizando o movimento com outras musculaturas mais fortes (ex: Deltóide).

  Assim sendo, é fundamental que no trabalho de fortalecimento para os músculos do Manguito Rotador, tenhamos a escápula bem estabilizada para que o exercício seja eficaz.

                         

 

 

  O Músculo Transverso Abdominal e sua função de Estabilização da coluna Lombar

 

Músculo transverso abdominal  Por Thiago Mazzeu

   A estabilidade da cintura pélvica e da coluna lombar tem uma grande importância no equilíbrio corporal.  A pelve transmite as forças do peso da cabeça, do tronco e das extremidades superiores e as forças ascendentes dos membros inferiores. Enquanto a coluna lombar é a principal região do corpo responsável pela sustentação das cargas. Além disso, a fáscia tóraco-lombar e suas potentes inserções musculares também possuem uma função relevante na estabilização da região lombopélvica.
   Os músculos do tronco são divididos em dois grupos: os músculos profundos, que são os oblíquos internos, o transverso abdominal e os multífidos; e os músculos superficiais, que são os oblíquos externos, os eretores espinhais e o reto abdominal. Todas essas musculaturas, de uma forma geral, contribuem para o suporte da coluna vertebral e da pelve. Porém, especificamente, os músculos abdominais possuem um importante papel na estabilização da coluna lombar e da cintura pélvica .
   Segundo Norris, o músculo reto abdominal é o principal flexor do tronco; os músculos oblíquos internos e externos, além de participarem da flexão, têm funções, de acordo com a orientação de suas fibras, de rotação, inclinação lateral e estabilidade durante o exercício abdominal.
   O músculo transverso do abdome é circunferencial, localizado profundamente e possui inserções na fáscia tóraco-lombar, na bainha do reto do abdome, no diafragma, na crista ilíaca e nas seis superfícies costais inferiores. Por conta das suas características anatômicas, como a distribuição de seus tipos de fibras, sua relação com os sistemas fasciais, sua localização profunda e sua possível atividade contra as forças gravitacionais durante a postura estática e a marcha, o transverso possui uma pequena participação nos movimentos, sendo um músculo preferencialmente estabilizador da coluna lombar. Como os músculos abdominais possuem relevância na estabilização da região lombopélvica, a diminuição da atividade destes músculos faz com que a flexão do quadril seja realizada sem a estabilidade necessária, permitindo que o músculo psoas exerça tração sobre o aspecto anterior das vértebras lombares, levando a uma anteversão pélvica e um aumento da lordose lombar.  Com o passar do tempo, os tecidos podem se adaptar a essa nova postura, que frequentemente está associada a uma série de disfunções, entre elas: a espondilolistese e as degenerações discais e facetárias.
lombargia   Uma das queixas mais comuns da população é a lombalgia. Segundo a Organização Mundial da Saúde cerca de 80% dos adultos terão pelo menos uma crise de dor lombar durante a sua vida, e 90% destes apresentarão mais de um episódio. A lombalgia é a causa mais comum de absenteísmo no trabalho nos países desenvolvidos, causando além de um problema médico, um déficit econômico.
   Em indivíduos que não possuem lombalgia, conforme Hodges e Richardson, o transverso do abdome é ativado antes do início dos movimentos dos membros. Por ser esse músculo uma estrutura essencial para estabilizar a coluna lombar, a teoria atual preconiza que ao realizar exercícios para a parede abdominal seja enfatizado o recrutamento específico do transverso do abdome, em vez de fortalecimento e endurance gerais, com excessivas repetições de flexão da lombar. Portanto, a identificação do desequilíbrio da musculatura da parede abdominal pode permitir sua correção, podendo evitar ou minimizar estas modificações posturais.
   A estabilidade vertebral depende da integração entre 3 elementos: o sistema passivo que consiste dos corpos vertebrais, articulações facetarias, cápsulas articulares, ligamentos espinhais e discos intervertebrais que participam da estabilização por meio das propriedades viscoelásticas; o sistema ativo o qual é constituído dos músculos espinhais e seus tendões e o controle neural que recebe informações dos sistemas passivo e ativo, por meio dos receptores, e tem o papel de captar as alterações de equilíbrio e determinar os ajustes específicos, por meio da musculatura da coluna, restaurando a estabilidade.
   Quando um desses sistemas falha os outros dois se reorganizam para dar continuidade a homeostase. Porém, muitas vezes, essa reorganização é inadequada sobrecarregando os subsistemas, promovendo uma cronicidade da disfunção-instabilidade vertebral.
   O transverso abdominal foi considerado um importante estabilizador da coluna lombar a partir do conhecimento da sua relação com a fáscia tóraco-lombar e a pressão intra-abdominal, e da participação destas na estabilidade lombar.
   Pesquisas dos músculos abdominais profundos, mostraram que o transverso abdominal é o principal músculo gerador da pressão intra-abdominal . O aumento da pressão no interior do abdome e na tensão da fáscia tóraco-lombar ocorre com a contração do músculo transverso, que resulta em uma diminuição da circunferência abdominal, devido à orientação horizontal das suas fibras. Por meio deste mecanismo, há uma redução na compressão axial e nas forças de cisalhamento e uma transmissão destas em uma área maior, promovendo uma maior estabilidade à coluna durante o levantamento de cargas elevadas.
   Vários estudiosos demonstraram que os músculos que possuem maior função estabilizadora são os multífidos, transverso abdominal e oblíquo interno agindo em co-contração, principalmente na antecipação de cargas aplicadas .
   Por meio de um estudo eletromiográfico, Hodges e Richardson , constataram que o músculo transverso abdominal é o primeiro músculo a ser ativado durante movimentos dos membros, concluindo que este músculo é fundamental para a estabilização segmentar. Portanto, ao antecipar-se ao movimento produzido pela ação do agonista, o transverso abdominal atuaria promovendo uma rigidez necessária à coluna lombar, evitando qualquer instabilidade geradora de dor lombar.
   Em indivíduos sãos, o transverso do abdome, para proteger a coluna, contrai-se antes dos movimentos das extremidades. Nos lombálgicos esta contração falha antes dos movimentos, demonstrando uma alteração na coordenação desse músculo. O atraso no início da contração do transverso abdominal indica um déficit do controle motor e resulta em uma estabilização muscular ineficiente da coluna.
   Existem evidências que comprovam que a musculatura profunda do abdome, especialmente o transverso abdominal e multífido, é afetada na presença de dor lombar e instabilidade segmentar.
   Com a disfunção local ocorre uma substituição compensatória de músculos globais, que pode ser explicada pela tentativa do sistema neural em manter a estabilidade por meio da solicitação dos músculos globais.

 

 

 

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